Raquel dos Santos Soares 

Jovem morta por "tribunal do crime" 

Segundo a Polícia Civil, ela foi executada após passar por dois "tribunais do crime", condenada à morte por supostamente repassar informações relativas ao tráfico de drogas a uma facção rival.

 

Traficantes locais desconfiaram que ela sabia demais enquanto a julgavam por uma briga com outra moradora do Morro da Lua.  O delegado Olívio Gomes Lyra, responsável pelo caso, diz ter "provas robustas" de que a morte da jovem foi por causa desta suposta informação passada à gangue rival. Mas a família acredita ser feminicídio e cita episódios violentos que teve com o namorado John Cleber Gaigher da Silva, 24. Ele está preso suspeito de envolvimento no julgamento. O relacionamento entre os dois não era aprovado pela família, mas Raquel e John Cleber tiveram duas filhas, de três e um ano de idade. A jovem assassinada era a mais nova de quatro filhos de Wilson. O primeiro contato da família com John Cleber foi há dez anos, através de Milka Ferreira Soares, de 21 anos, irmã de Raquel. "Nós morávamos perto e eu e ele paramos para conversar coisa do dia a dia, sabe? Depois, ele e minha irmã se conheceram também e, mais tarde, se envolveram", relembra a irmã.

 

Há quatro anos, Raquel deixou a casa da família para morar com o namorado no bairro de Vila Andrade. "Ela foi sem minha autorização. Eu tentei impedi-la, mas ela estava apaixonada e cega. Lembra o Sr Wilson dos Santos Soares, pai de Raquel" Além de John Cleber, a família de Raquel não gostava de quase nenhuma das amizades que ela mantinha no Morro da Lua, local onde a família passou parte da infância da vítima. "Eram todas amigas de copo, de bar. Eu dizia: 'Presta atenção, quando você tem um dinheirinho a mais e pode gastar, pipoca gente te chamando para festa. Mas quando você está na pior, ninguém se lembra de você'", explica Milka. 

 

"Personalidade forte de uma menina doce" Raquel era tida pelos familiares como uma mulher de personalidade. As duas irmãs se visitavam frequentemente nas folgas de Milka que era operadora de caixa de um supermercado. Nesses últimos tempos, no entanto, o assunto eram os relatos de violência e ameaça que Raquel dizia sofrer de John Cleber. Milka tentava dar suporte à irmã, que se sentia com medo do que seu companheiro poderia fazer com sua família. 

 

Wilson era outro que nunca aprovou o relacionamento da filha. "Esse cara entrou na minha casa uma vez só, quando ela foi apresentá-lo como namorado. De cara, falei: 'Raquel, minha filha, não me traga mais esse rapaz em casa'", diz o pai. 

 

"Sempre tinha escândalo. Já recebi ligação de vizinho me dizendo que a Raquel estava gritando e que o John Cleber estaria batendo nela. Eu mesma já o vi batendo nela mesmo quando eu estava na casa deles. Também já o vi batendo nas filhas", explica Milka. Raquel também publicava em seu Facebook fotos de hematomas e cortes que alegava terem sido cometidos pelo seu companheiro. Wilson diz que chegou a aconselhar a filha a registrar queixa na delegacia, mas não teve o pedido aceito.

 

Há pouco mais de um ano, a jovem de 20 anos decidiu revender cosméticos para conseguir uma renda extra em casa. "O principal objetivo dela era voltar a estudar, conseguir trabalhar e dar um futuro melhor para as filhas dela. Ela ficou cerca de três meses como revendedora, mas como ela decidiu sair de casa devido às agressões e ameaças, indo para longe, ela teve de parar de vender", recorda Milka. A irmã tentou incentivar Raquel a voltar à escola, oferecendo-se para cuidar das filhas dela, mas a jovem mãe jamais respondia. Há cerca de quatro meses, Raquel decidiu sair de casa que dividia com o namorado e o pai a ajudou a pagar o aluguel de uma casa. O plano seria que ela voltasse a morar com ele, mas no dia combinado, ela não apareceu. Pouco tempo depois, a família descobriu que ela tinha voltado para a Vila Andrade. 

 

O último contato de Raquel com a família foi no começo de dezembro, quando ela disse que estava sem celular. No entanto, próximo ao dia 28, ela, as duas irmãs e o irmão tinham combinado de passarem a virada de ano na casa de Wilson.  Preocupada com a falta de informações sobre a irmã, na véspera do Ano Novo, Milka chegou a ligar para uma vizinha de Raquel, que informou que ela estava em casa, brincando com as filhas.  As duas meninas foram deixadas com os pais de John Cleber entre os dois julgamentos que Raquel passou no "tribunal do crime". Desde então, a família de Raquel não teve qualquer contato com as crianças. Agora, Wilson guarda consigo os pacotes de fralda que comprou de presente para entregar à filha, mas jamais pôde entregar.

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/18/jovem-morta-por-tribunal-do-crime-sonhava-ser-professora-e-era-vendedora.htm

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/01/16/desaparecida-em-sp-foi-morta-pelo-tribunal-do-trafico-por-dar-informacao-a-faccao-rival-diz-delegado.ghtml

https://www.youtube.com/watch?v=kWV4DmhEMEE

https://www.youtube.com/watch?v=-koDdRWwqg0