Bianca Ribeiro Consoli

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A estudante de Finanças, Bianca Ribeiro Consoli, 19 anos, foi encontrada morta por um sobrinho em sua casa, na zona leste de São Paulo, na noite de 13 de setembro de 2011. Ela tinha um saco plástico na garganta e marcas de enforcamento no pescoço. Uma tesoura que não seria da família também foi encontrada no local do crime. A Polícia Científica identificou sinais de luta na casa , com parte dos móveis revirados.

Segundo a polícia, o pescoço da universitária tinha vários arranhões e manchas roxas. A testa dela também estava ferida, possivelmente por uma faca. A mãe da adolescente contou aos investigadores que a filha não tinha esse ferimento.

De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), a mãe e o padrasto da jovem estavam trabalhando no momento do crime. A tia da estudante, que mora numa casa vizinha, estranhou ao ver as janelas da casa abertas com todas as luzes acesas e os televisores ligados.

Quando a mãe de Bianca chegou ao local, a porta estava trancada e ela pediu para que um primo da jovem pulasse o muro. O menino, de dez anos, foi quem encontrou Bianca morta na sala. O Corpo de Bombeiros foi acionado e ainda tentou reanimar a jovem, sem sucesso.

 

Marta Ribeiro, mãe da estudante Bianca Ribeiro Consoli, disse acreditar que a filha morreu porque reconheceu a pessoa que invadiu o imóvel, na zona leste de São Paulo. De acordo com Marta, na casa havia vários objetos de valor que não foram levados.

 

- Em cima da mesa da cozinha tinha um notebook. No quarto, tinha televisão e não levaram nada. Eu creio que entraram mesmo para fazer essa maldade com ela.

 

As primeiras suspeitas da polícia indicavam que Bianca teria sido surpreendida no caminho da academia pois ela usava roupas de ginástica no momento do crime. Por isso, a recepcionista do estabelecimento deve prestar depoimento na quinta-feira (15/09).

 

O tio da estudante também disse acreditar que o assassino era uma pessoa conhecida, pois não havia sinais de arrombamento na casa. Antes do crime, segundo informações da polícia, a garota conversou com amigos pela internet e não demonstrou haver problemas em casa, o que reforça a hipótese de que o autor do crime invadiu a casa com ela lá dentro.

 

A última conversa entre Bianca e a tia, Eliane Consoli, foi às 13h41 de segunda-feira.  "Nós conversávamos sempre pelo Facebook e naquele dia ela me disse que ia para a academia. A última palavra que postou foi Deus", lembra-se  a tia, emocionada.

 

Bianca, segundo as primas Viviane Flávia Ribeiro e Kelly Ribeiro da Silva, era uma pessoa alegre e sem inimigos. O sonho dela era passar no concurso para trabalhar no Banco do Brasil. O dinheiro da inscrição e o boleto ainda estavam na bolsa dela porque não teve tempo de pagar.

 

"Ela estava muito feliz porque havia conseguido emprego na Avenida Paulista e ia começar a trabalhar na próxima segunda-feira(19/09). À noite cursava o segundo semestre de finanças na Faculdade Anhanguera", conta Kelly.

 

Viviane afirma que a prima namorava havia oito meses e gostava muito do rapaz.  "Ele está inconsolável. Já esteve  duas vezes na casa dos meus tios, mas passou mal", comenta.

 

O ex-namorado de Bianca também é considerado "excelente" pela família. "Todos se encantavam com a beleza dela, mas nunca teve inimizades por isso nem foi ameaçada", diz Viviane.

 

O cunhado de Bianca, que pediu anonimato, contou que a menina não tinha inimigos. Ela morava com a mãe e o padrasto, que chegou a esmurrar um dos vidros da casa ao vê-la morta. 

 

Pouco antes de morrer, Bianca Consoli chegou a postar em sua página de uma rede social da internet uma música religiosa que tinha o nome de Deus. Ela também conversou pela internet com duas amigas, sem mostrar nervosismo ou indicar que estivesse com problemas.

 

A adolescente Bianca Ribeiro Consoli foi enterrada por volta das 9h30 de quinta-feira (15/09) no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, em Santo André. O corpo da jovem foi velado no mesmo local.

 

O laudo do IML (Instituto Médico Legal), assinado pela médica Angélica de Almeida, aponta como causa da morte asfixia mecânica.

 

O caso é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa)

A polícia tem indícios de que o assassino da universitária Bianca Ribeiro Consoli seria uma pessoa muito próxima da família. 

 

"Já suspeitávamos que se trata de alguém conhecido, porque não havia sinais de arrombamento na casa e também nada foi roubado. Mas quem tem de dar nomes é a polícia, não nós", diz o tio e padrinho de Bianca, Luiz de Brito Bicudo.

 

O tio de Bianca está convencido de que o assassino tinha cópia da chave da casa. "Só três pessoas tinham essa chave: minha sobrinha, a mãe dela e o padrasto. As três estão lá. Por isso, acredito que exista uma quarta chave porque a casa estava trancada", comenta.

 

Segundo a perícia, Bianca lutou com o assassino. Sob as unhas dela havia fragmentos de pele, que podem revelar a identidade do criminoso. Os peritos também recolheram  tufo de cabelo da garota e uma tesoura, que não era da casa, abandonada junto ao portão.

 

O delegado Maurício Guimarães Pereira, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, diz que várias testemunhas  foram ouvidas, entre elas o namorado de Bianca, Bruno Barranco, o ex e um cunhado, Sandro Dota.

 

Muita emoção na missa de 7º dia

 

A missa da jovem Bianca Ribeiro Consoli, assassinada, no último dia 13/09, foi realizada no dia 19/09 às 19:30h na Paróquia Senhor do Bonfim - Rua Oratório, 1458 - Parque das Nações - Santo André - SP.

 

Os pais do menino Ives Ota, Keiko Ota e Masataka Ota, estiveram presentes para prestar solidariedade à família da jovem. Também estavam presentes Klaiton Simão, pai da Fernanda Cristina Simão, que foi assassinada em 2008 e o caso continua impune e Sandra Domingues, voluntária do Movimento Gabriela Sou da Paz, que acompanha e luta por justiça para casos de impunidade.

 

Familiares e amigos da jovem Bianca Consoli, emocionados, acompanharam o discurso feito por Priscila Neres Maciel, amiga de Bianca, que após ler a homenagem entregou uma cópia da mensagem, com uma foto de Bianca, à mãe, irmã e irmão da jovem assassinada.

 

Klaiton Luis Ferreti Simão, pai da jovem Fernanda Cristina Simão assassinada em abril de 2008, cujo caso continua impune, estava presente e fez questão de prestar solidariedade à família de Bianca. Relatou a importância que teve para ele a presença, na missa de 7º dia de sua filha., do casal Ota, pais do menino Ives Ota sequestrado e assassinado em 1997 por um segurança da família, e do Ari Friendenbach, pai da jovem Liana Friedenbach, assassinada em 2003, pelo "menor" Champinha.

 

Segundo Klaiton, o conforto que recebeu dessas famílias, que sofreram na pele a mesma dor que ele, foi fundamental para que pudesse seguir adiante e até hoje está na luta por Justiça. E da mesma forma como foi confortado, procura fazer isso para outros pais, vítimas de violência. Leva uma mensagem de conforto e de esperança. O caso Fernanda aconteceu em 2008 e não teve repercussão alguma...porém a luta por Justiça continua!

 

A Procuradoria-Geral de Justiça designou, na segunda-feira (19/09), o promotor Antonio Nobre Folgado para acompanhar as investigações do assassinato da estudante Bianca Ribeiro Consoli.

 

As investigações estão sendo realizadas pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), que está colhendo depoimentos dos parentes mais próximos da estudante.

 

A polícia pediu exame de DNA de dois investigados no caso da morte da universitária Bianca Consoli. De um dos investigados, a coleta de material genética já foi feita no Instituto Médico Legal de São Paulo. O DNA será comaparado com as amostras de pele do assassino, que foram encontradas nas unhas de Bianca. 

 

Cinco pessoas investigadas foram convidadas a fazer exame de DNA para confrontar o resultado com o material encontrado sob as unhas de Bianca, entre elas o cunhado da estudante, o motoboy Sandro Dota. Apontado pela família da jovem como o principal suspeito do crime, Sandro é o único que ainda não fez o teste.

 

O advogado do motoboy, Ricardo Martins, afirma que seu cliente não está se negando a fazer o exame, mas apenas esperando o laudo do material recolhido de Bianca ser anexado ao inquérito. “O Sandro comprometeu-se por escrito no DHPP a doar material para o teste assim que sair o resultado. Ele não pode se submeter a mais um constrangimento desnecessário”, diz.

 

A família de Bianca não se conforma com a decisão. Bastante emocionada, a mãe da estudante faz um apelo ao genro: “Se ele não fez nada, que forneça de uma vez o material para o exame e acabe com essa tortura”, questiona. Segundo Marta, a incerteza está separando a família. “Já perdi a Bianca e minha outra filha (Daiana, mulher de Sandro) se afastou de mim e proibiu meus netos de virem à minha casa. Até ao telefone ela só fala comigo em viva voz porque o marido não deixa. Todo nosso sofrimento está ao redor do Sandro”, lamenta.

 

Daiana defende o marido e afirma estar disposta a enfrentar a família toda para provar a inocência de Sandro

 

A Policia Civil prendeu no inicio da noite de segunda-feira (12/12) Sandro Dota por suspeita de ter assassinado a jovem Bianca Consoli

 

Segundo o promotor do caso, Antonio Nobre Folgado, um dos laudos comprovaram que o sangue que Bianca tinha embaixo das unhas é o mesmo que Dota tinha na calça que usava no dia do crime. Folgado pediu a prisão preventiva na Justiça e denunciou Dota por homicídio triplamente qualificado.

 

A defesa de Sandro Dota, suspeito de assassinar a cunhada Bianca Consoli, entrou com um pedido de liberdade na Justiça, no dia 16/12/2011. O habeas corpus, segundo o advogado Ricardo Martins, foi apresentado no Tribunal de Justiça de São Paulo. O Habeas Corpus foi negado em janeiro de 2012.

 

De acordo com o delegado Maurício Guimarães do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa), o motoboy era usuário de drogas e frequentou uma clínica de recuperação. O suspeito já tem passagem pela polícia por furto. 

 

Dota prestou depoimento e, segundo o delegado Alberto Pereira Matheus Junior, que coordenou o inquérito do caso, ele se mostrou “extremamente frio o tempo todo" e tem “características de um sociopata”. O delegado ainda afirmou que, “por sua experiência profissional e por depoimentos colhidos, o crime pode ter motivação sexual”.

 

A polícia havia preparado dez perguntas para fazer durante o interrogatório de Dota, mas o motoboy se negou a responder todas elas. Na saída do prédio da DHPP, ele disse ser inocente. Para a polícia, não há dúvidas de que ele matou a cunhada.

 

Na quarta-feira (15/12), o cunhado da jovem foi transferido para o CDP (Centro de Detensão Provisória) da Vila Independência, em São Paulo. Ele estava na carceragem do DHPP desde sua prisão.

 

Sandro Dota foi pronunciado em 28/01/2013 ao júri popular, por Homicídio Triplamente qualificado, Art. 121, incisos II, III e IV e concurso material com o artigo 213. O Juiz manteve também a prisão de Sandro Dota, que deve aguardar o julgamento preso.

 

Em 14 de agosto de 2013 Sandro Dota escreveu uma carta, apresentada pela nova defesa, confessando ter matado a ex-cunhada Bianca Consoli, negando porém o estupro.

 

A Justiça marcou para 16 de setembro o novo júri do Assassino confesso após cancelar o julgamento anterior no dia 25 de julho, quando o réu pediu a destituição da sua defesa. O pedido foi aceito pela juíza Fernanda Afonso de Almeida, que presidia o júri iniciado no dia 23 do mês de agosto, no Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo.

 

Sandro Dota foi condenado a 31 anos de prisão pelo homicídio e estupro da jovem Bianca Ribeiro Consoli. A decisão dos sete jurados foi unânime. A sentença foi lida pela juíza Fernanda Afonso de Almeida, da 4ª Vara do Júri, no fim da tarde de 17/09/2013, no segundo dia de julgamento ocorrido no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Os sete jurados consideraram Dota culpado pelos crimes de homicídio qualificado e estupro.

Em 06/09/19 Sandro Dota foi julgado novamente, desta vez por estupro e abuso de menor vulnerável, foi condenado a 39 anos e 4 meses de prisão por cada criança, totalizando uma pena de mais de 80 anos.